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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

RPG: Role-playing Game.

"Eu não tenho nada contra ele, é um personagem simpático. Eu até conseguiria jogar, se ele respirasse de vez em quando, para variar."

O RPG foi lançado oficialmente na década de 1970 com Dungeons & Dragons nos Estados Unidos. Além dos livros e os jogos de mesa, adquiriu formato virtual em fóruns e LiveJournals, e foi assim que ele chegou às páginas do orkut na comunidade Fics de Bandas.

O primeiro RPG slash do bandom, Make Out Kids, foi trazido em 2006 com tema chocante. "Nós pensamos que precisávamos de um super enredo e, após um brainstorm, a ideia das máfias foi a mais plausível. Achávamos que ninguém iria entrar, e foi surpreendente a quantidade de pessoas que se interessaram" diz uma das moderadoras, Luana Rezende de Mello, 25. "Era marcar um mestrado e todos apareciam."

A história sobre mortes, traições e intrigas eternizou entre as jogadoras e logo se espalhou para instigar outros membros da comunidade. Seguindo a linha de raciocínio, chegaram com jogos via MSN o Cosa Nostra e o influenciado por ele, Chaotic, atualmente em hiatus. Não distante disso, Betrayed, esse via AIM, está entrando em sua reta final. "Eu queria algo com gangues pelo MOK ter sido o único que joguei sobre isso" comenta Suellen Marques Roman Silva, 21. "Tinha a base e juntei com as ideias das meninas."

Jogos com enredos mais pesados, entretanto, não foram os únicos que apareceram. Membros de bandas já fizeram viagens ao passado, estudaram em Hogwarts e lutaram contra forças desconhecidas, mas também não deixaram de viver a doce e não tão pura vida adolescente. "Eu queria jogar e não encontrei ninguém, então acabei conseguindo parceria via Twitter e nós pensamos em um acampamento de verão" diz Ayesca Lidianne de Oliveira, 15, moderadora de Summer Camp. "Ainda está no começo, e por isso estamos pensando em abrir novas vagas para cobrir os personagens que nunca aparecem". Personagens fantasmas, por sinal, são um dos maiores problemas dos RPGs atuais. "Eu não acho legal, porque muita gente deixou de se inscrever para os inscritos quase nunca aparecerem" ela continua.

E, além daqueles que nunca aparecem, existem os que não se preocupam com o enredo. "Hoje, o mais importante é o drama da pegação, gostar de um e trair com outro. Antes, no MOK, as gangues eram realmente rivais e os personagens se aliavam, faziam inimigos, se machucavam. Foi um RPG em que eles realmente morriam. Os backgrounds eram criados e as pessoas os seguiam" afirma Luana.

Só resta descobrir o motivo da mudança, e o que não falta são opiniões. "Imagino que, com a entrada de novos jogadores e a falta de incentivo por parte dos antigos, as descrições foram se tornando cada vez mais fracas. Uma pena, considerando que o jogo pode ser muito mais que beijos e sexo. E inclusive eles ficam mais incríveis, se bem detalhados" comenta Beatriz Couto dos Santos, 18, jogadora de Betrayed. "Tenho jogado mais em fóruns em que as pessoas são obrigadas a descrever melhor" acrescenta Luana.

Mas, mesmo com tantos defeitos e motivos para abandoná-los, nem sempre é fácil deixar um RPG. "Você se envolve com os personagens, e são eles que fazem o jogo valer a pena" comenta Bárbara Cristina Rubio Mistroni, 15, jogadora de Summer Camp. E é por isso que eles continuam por aí. Sem graça ou geniais, com enredos batidos ou inovadores, com jogadores interessados ou não, continuam sendo um hobby para leitores, antigos leitores, atuais autores ou os aposentados. Jogar é como viver uma segunda vida, moldada com carinho e envolvendo aquilo que nunca se experimentaria no mundo real.


- Por Cínthia Zagatto.

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Site de fanfics gerais.

Estava mexendo no site de uma banda e encontrei a rede ‘ning’. Não é paga, é fácil de mexer e disponibiliza uma série de recursos: grupos com fóruns específicos, fórum geral, blog, comentários nos perfis, postagem de fotos, músicas, vídeos, adição de amigos, envio de mensagens e uma janela para chat.

Tive poucas opiniões, poucas críticas, poucas sugestões, mas a maioria delas foi positiva, então decidi publicar por aqui e vou explicar por quê:

A intenção de criar esse site não é de roubar leitores e escritores da comunidade, é de abrir um espaço para fanfics diferentes. O fandom estrangeiro é muito mais amplo que o nacional; parece que escritores e leitores aceitam mais temas, mais ships, se arriscam mais, não têm medo de divulgar o que escrevem.

Antes eu achava que só eu era chata demais a ponto de olhar para as fics brasileiras e não me interessar por 98% delas, mas faz um tempo que vejo que não sou a única. Muitos enredos são batidos, são clichês e se adaptam ao padrão da comunidade para conseguirem leitores. Não sei vocês, mas eu me cansei um pouco disso.

A fofura abstrata é legal até certo ponto, assim como os dramas forçados, os assassinatos idênticos uns aos outros e as PWPs sem sentido, mas eu mesma tenho fanfics que não se encaixam em nenhuma das categorias mais lidas e não posto por causa disso. Posto, mas apago, como muita gente faz, porque começamos com algo diferente e o que encontramos é uma série de leitores que obviamente estão ali por causa da amizade ou apenas por educação, compaixão.

O que eu proponho é que entrem no site aqueles que quiserem postar e ler fics novas, desde textos mais trabalhados até enredos e ships incomuns, rejeitados no fórum da comunidade. Assim teremos a certeza de que vamos dar uma olhada por lá e conseguir o que é difícil de encontrar na comunidade. Se for preciso começar com traduções estranhas, que seja feito, mas que possamos quebrar o padrão com isso.

Eu realmente quero tentar, e peço ajuda aos que também se interessarem por isso. Podemos ter cinco, dez pessoas, não importa o número. O que importa é saber que em algum lugar vamos ter fácil acesso a enredos menos batidos.

O site é esse: http://ficsdebandas.ning.com

Os grupos são esses (são apenas exemplos, claro, teremos grupos para todas as bandas sobre as quais as autoras queiram escrever): http://ficsdebandas.ning.com/groups

E aqui é o fórum geral: http://ficsdebandas.ning.com/forum

Agradeço desde já. Aos interessados: fucem no site para mais detalhes.


- Por Cínthia Zagatto.


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sábado, 13 de junho de 2009

Entrevista: Gabee Comeau.

Gabriela Dias da Silva, 21, Rio de Janeiro.


Você foi uma das autoras mais conhecidas e procuradas da comunidade. Como tudo isso começou?

Em 2005, quando fui ao show do Simple Plan, já tinha certo conhecimento sobre Hott Baguettes. No mesmo mês, eu comecei a ler. A comunidade Pierre (L) David era linda, e eu logo recebi um link para uma tradução, encontrei o LiveJournal e assim foi indo.


O que te influenciou a escrever?

Eu sempre gostei da época High School, estar no colégio me ajudou. A inspiração veio com Queer as Folk e algumas músicas. Comecei quando estava lendo fics da Isis e da Steh, e também me inspirava com as estórias da americana Sid.


Como se sente por ter seu trabalho reconhecido, tendo leitores até hoje, sem sequer as fics estarem postadas na comunidade?

Acho estranho, mas é engraçado. Ofereceram-me um lugar na fila do show do My Chemical Romance, e eu dei até um autógrafo na bienal. É ótimo, eu fico muito feliz com isso.


Aquela que a levou ao topo foi a ‘New School’?

Sim, o meu bebê. Era uma época em que eu me divertia muito com isso. Tinha terminado de escrever uma fic também colegial, e era pré-vestibulanda, então escrevi cerca de quatro capítulos, a Isis gostou e teve muita influência por ser a melhor beta-reader. Foi escrita conforme os leitores comentavam, eu adorava surpreender, e já tinha a ideia do final. Escutei as músicas certas nos momentos certos, e tudo se encaixou.


O que afastou você da comunidade? Antes suas fics podiam ser encontradas quase todo mês, mas faz algum tempo que não aparece algo seu nos tópicos.

Minha falta de tempo me desanimou, além de que na época eu estava com uma fic dedicada a alguém com quem discuti. As brincadeiras entre Pierre e David foram diminuindo nos últimos dois anos, e elas me inspiravam. Todo mundo sabia que não havia uma pegação ali, mas aquilo me animava. Eu cheguei a escrever uma one-shot Frerard, mas 98% das minhas fics eram Hott Baguettes, e eles amadureceram.


Tem vontade de voltar a postar?

Às vezes tenho vontade, mas não consigo terminar algo. Além disso, acho que o nível da comunidade caiu bastante. A preocupação com betagem é pequena, e há fics muito clichês, com temas repetitivos, quase plagiados.


Plágios?

Nunca! Já tive muitos problemas com isso para chegar a pensar na possibilidade, além de ser algo que me irrita. Se não tem ideias, deixe outra pessoa escrever. Apenas ler também diverte bastante.


Clichês?

Não escrevam melação com um bando de marmanjos de trinta anos! São gays, mas não são retardados, não são crianças. Sou mais macho que muitos Davids de fics.

Mais macho que o David, até eu.

Ok, então, vamos trocá-lo pelo Pierre.


New School.

Ship: Pierre Bouvier/David Desrosiers.

Censura: NC-17.

“Uma gargalhada chama minha atenção e lá está ele. A perfeição. Em cima da mesa rebolando para um grupo de meninas e meninos, todos rindo muito. Ele ta cantando uma música que não faço a mínima idéia de qual seja.

Eu devo ter ficado parado olhando diretamente pra ele porque quando acordo do meu ‘transe’, ele ta olhando pra mim na minha frente. Levei um pequeno susto e corei quando ele me deu um sorriso, segurou no meu braço e disse:

-Você é aluno novo? Qual seu nome? Seja bem vindo!”


- Por Cínthia Zagatto.



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